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Hospital Primavera completa 10 anos com o projeto de Medicina Hospitalar

Em 2021 o serviço de Medicina Hospitalar do Hospital Primavera completa 10 anos e para falar sobre o modelo de assistência ao paciente, convidamos, o gerente médico do setor de Internamento do Hospital Primavera, coodenador do Serviço de Medicina Hospitalar e tesoureiro geral da Sociedade Brasileira de Medicina Hospitalar(SOBRAHM),  Dr. Enilson Vieira Moraes, para uma entrevista. Confira abaixo:

 

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CEP: O que é a Medicina Hospitalar (MH)?

Dr. Enilson:Trata-se de um modelo assistencial centrado no paciente com estratégias que alinhem qualidade
técnica/assistencial multidisciplinar e otimização de recursos no sentido de entregar o resultado ao paciente
e sua família da forma mais segura e eficaz, com menor desperdício de recursos, de tempo e menores riscos.

 

CEP: Quais os benefícios de se ter um modelo de MH nas instituições?

Dr. Enilson: O modelo tradicional de assistência (não Hospitalista) é focado no binômio doença-saúde,
grosseiramente falando, doença e recurso para tratar, curar e/ou amenizar, mas não se envolve em questões
como tempo de internação, custo-efetividade, trabalho multidisciplinar orientado, transição segura, decisões
compartilhadas e alinhadas com o desejo do paciente, ou seja não possui visão sistêmica. Diante disto o
objetivo da MH é levar o resultado, mas não só o que o médico entende como sendo o resultado, mas um
resultado qualificado com aspectos pessoais do paciente/família com redução de riscos desnecessários e
consumo adequado de recursos disponíveis.

 

CEP: Como implementar a MH?

Dr. Enilson: Importante dividir em 3 passos;
1? passo é sempre a decisão institucional, não há como mudar um paradigma sem essa decisão em nível
estratégico.
2? passo é o diagnóstico institucional: saber os recursos que se tem e os que precisam ser conseguidos.
3? passo é virar a chave e, a partir daí, medir e ajustar o processo que, com certeza, não terá prazo final,
porque as percepções, os objetivos institucionais e o perfil dos clientes muda.

 

CEP: Quais os (principais) desafios?

Dr. Enilson: Resumidamente seriam três;
1. Sair da zona de conforto, de forma macro, institucionalmente falando
2. Trazer à prática os conceitos sobre os quais discutimos anteriormente através do desenvolvimento das
pessoas
3. Extrapolar os limites do serviço de MH para uma visão assistencial sistêmica da Instituição, fazendo com
que a percepção de que o paciente não é de um serviço, mas da Instituição.

 

CEP: Como a avaliação de deterioração clínico traz segurança ao paciente?

Dr. Enilson: Todos nós, internados ou não, podemos estar apresentando "falhas". Exemplo: um hipertenso
ou diabético não compensado, pode estar experimentando sinais de fadiga, cefaléia, dispnéia entre outros
pontos, que estão impactando nas suas tarefas. O organismo tem vários mecanismos de compensação pra
isso, mas, se não for corrigido o problema, em algum momento teremos um diagnóstico de doença ou agravo. 
Por outro lado, a complicação detectada não se iniciou naquele momento, portanto, o que diagnosticamos
foi a falência da capacidade do organismo em manter a situação sob controle e, para isso, ele consumiu
reservas orgânicas importantes, ou seja: perdemos o timing de fazer o diagnóstico antes de uma perda maior
do que o necessário. No paciente internado acontece a mesma situação, só que com um agravante: esse
indivíduo já deteriorou e precisou internar ou sofreu um trauma (cirúrgico, por exemplo, mesmo que
programado) e seu organismo já está usando os recursos que tem para seu restabelecimento. Portanto, se
não tivermos um sistema de monitoramento desse paciente, não percebermos que ele está piorando
(deteriorando) e podemos ser surpreendidos com complicações mais sérias, que deixem sequelas, como AVC,
lesão renal ou hepática ou, até mesmo, uma parada cardíaca e óbito. Nenhum sistema, obviamente, é capaz
de detectar tudo e impedir que um desfecho grave e indesejado ocorra, mas precisamos ter sistemas
montados e uma equipe para responder à deterioração de forma mais precoce e eficiente possível.
Outros aspectos que têm que ser trazidos à discussão sobre deterioração clínica são: o paciente que
deteriorou fica mais tempo internado, ocupa por mais tempo o leito e consome mais recursos.

 

CEP: É possível reduzir custos?

Dr. Enilson: Sempre é, mas também precisamos discutir o seguinte: reduzir custos melhora desfecho?
Devolve ao paciente/família o valor que ele espera? Fideliza o cliente à Instituição? Melhora nossos
processos?

 

CEP: Se sim como faríamos?

Dr. Enilson: Focando em MH:
Melhorando nossa assertividade diagnostica, mobilizando estratégias de pessoas (equipe multidisciplinar,
time de resposta rápida, time de paliação e controle de dor...), seguindo protocolos, desospitalizando no
momento oportuno, evitando exames e procedimentos desnecessários.

 

CEP: Você acredita que o internamento pode ser um elo essencial para melhora dos desfechos clínicos e
tempo de internação? Como?

Dr. Enilson:
Ele é, porque a princípio, todos os pacientes que são internados estarão no setor de Internamento em algum
momento.

 

CEP: O Hospital Primavera apresenta este modelo de MH, como foi a construção dele?

Dr. Enilson: Sim. Nosso serviço inciou em 2011, por interesse do presidente da rede, Dr Wagner Oliveira, após
o contato com a experiência de outros serviços em revistas da área. Tivemos o pontapé inicial de uma
consultoria externa, o que trouxe ao serviço os conceitos que precisaríamos assimilar e perseguir. Levamos
algum tempo para identificar uma equipe inicial e tentarmos as primeiras viradas de chave. Acredito que o
que moldou a base do serviço como é hoje foram as discussões sobre acreditação pela ONA, pela necessidade
de um serviço mais maduro que pudesse ser o “case” para a acreditação. Isso ocorreu por volta de 2015/16
e, a partir daí, o serviço veio ganhando a forma que tem hoje. Assumi a coordenação do serviço em julho de
2014, no início da necessidade dos ajustes para a acreditação. Sem dúvida alguma, o teste de fogo foram os
meses de pico da pandemia do COVID-19 em 2020/21. O serviço se reinventou rápido, diria até que o modelo
de monitoramento de deterioacao capilarizou para outros setores, como a unidade de Emergência, em
virtude da deterioação rápida dos pacientes na pademia e a necessidade de ações coordenadas com o Time 
de Resposta Rápida. Naqueles momentos a medicina hospitalar mostrou muito da sua capacidade de
resiliência, resistência e compromisso com nossos clientes, suas famílias e a Instituição.
Coordenar colegas médicos no contexto da MH é sempre desfiador porque envolve necessidade de quebra
de paradigmas, aquisição de novos modelos mentais, traduzir para o operacional decisões estratégicas...
Mas, quando se tem uma equipe com uma boa capacidade técnica, alta gestão parceira e vontade de
desenvolver o serviço, temos boas armas para enfrentar os desafios.

 

CEP: Na sua percepção quais são os ganhos do Hospital com este modelo?

Dr. Enilson: Somos um Hospital jovem comparado a outros da cidade, com apenas 13 anos. Já somos
acreditados e recertificados ONA III . Estamos galgando rapidamente a referência em alta complexidade e a
demanda chegou ao ponto de exigir ampliação de estrutura. Temos hoje 40 leitos de UTI adulto, um grande
movimento cirúrgico de várias complexidades e um serviço de oncologia com demanda também crescente.
Precisamos associar isso ao envelhecimento da nossa população e a convivência com comorbidades por mais
tempo, além de novos desafios de saúde pública, como o ocorrido recentemente. Além disso, precisamos
colocar na equação: crise econômica e pressão de fontes pagadoras por menores gastos. Não temos como
lidar com um cenário tão desafiador sem equipes de alto desempenho técnico, utilização otimizada de
recursos e entendendo o que representa o valor da saúde para nossos clientes.
Nesse contexto precisamos contar com um modelo assistencial capaz de adaptar-se ao que o cenário
demanda e, para mim, em se tratando de setor de Internamento, somente a Medicina Hospitalar é capaz de
responder à altura.

 

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